Introdução as Línguas Semíticas [Atualizado 21/10/18]

                                                                      Introdução

O estudo de fontes primárias para o Antigo Testamento possui um aliçerce fundamental na compreensão do ambiente histórico-cultural onde a mensagem teológica se desenrola. Pois permite enxergar como Israel interagia com seus vizinhos na esfera comercial e religiosa e de que forma o pensamento hebreu e as passagens teológicas podem ser iluminadas com o  recente material extra-bíblico. As Fontes Primárias, nos quais todo estudioso do Antigo Testamento tem o dever de se familiarizar é muito vasta se for mencionada aqui. Para ilustrar alguns desses materiais são Epopeias da Suméria e Acádia, Textos sargônicos do 2º M a.C, Documentos Hititas, Cartas de Amarna, Estelas egípcias, Inscrições Assírias-Babilônicas, Inscrições Hebraica-Aramaica e Provérbios mesopotâmicos e egípcios. São enormes coleções especiais da Mesopotâmia, Egito, Anatólia e Síria-Palestina vindo a partir de uma variedade de gêneros literários: textos medicinais, lexicais, religiosos, literários, diplomáticos, militares e comerciais. Uma avaliação cuidadosa dessa documentação traz grande proveito ao estudo do Antigo Testamento.

Assim como a documentação do Antigo Oriente Próximo se faz necessário para o estudioso do Antigo Testamento, as Línguas Semíticas também lhe prestam está grande contribuição. Línguas Semíticas são idiomas provindo do Antigo Oriente Médio, que porventura podem lançar muita luz, no estilo hebraico e aramaico.

O adjetivo ‘semítico’ é derivado da palavra Sem, cujo nome de um dos filhos de Noé (Gênesis 5:32). O historiador alemão August Ludwing von Schloezer[1] quem deu, em 1781, o nome SEMITAS aos hebreus, arameus, árabes e abissínios, cujas línguas são aparentadas entre si.

                                                             Classificação

A Classificação das línguas semíticas é ainda hoje objeto de discussão. A este respeito encontramos dois tipos de classificação: a primeira hipótese, a qual é tida como tradicional, está baseada principalmente em dados geográficos e importâncias culturais das diferentes línguas semíticas. Nessa classificação as Línguas semíticas ocupavam as regiões da Ásia Ocidental, do oriente para o ocidente: Mesopotâmia, Síria-Palestina, Arábia. O agrupamento dessas línguas está usualmente baseado em sua distribuição geográfica: Semítico Norte-Oriental (Mesopotâmico), Semítico Norte-Ocidental (Síria Palestina) e Semítico Sul-Ocidental (Arábia e Etiópia). A segunda hipótese, primeiramente proposta por Robert Hetzron[2], enfatiza as inovações morfológicas e fonológicas. Aqui, além da classificação geográfica, procurou-se classificar estas línguas levando em consideração elementos linguísticos que aproximavam e, as vezes, distanciavam umas das outras.

O semítico Norte-Oriental é representado pelo acádio, falado na Mesopotâmia na era pré-cristã. Este idioma, que predominava na civilização dessa região e possivelmente substitui o sumério, língua não semítica, deriva o seu nome da cidade de Acade, capital do império de Sargão, o Grande (2350 – 2290 a.C.). Os principais períodos do acádio foram: Acádio antigo, aproximadamente datado entre 2500 e 2000 a.C., e depois de2000 a.C., os principais dialetos atestados são o babilônico e o assírio. O babilônico é o dialeto do sul da região e está dividido em Antigo Babilônio (ca. 2000 – 1500 a.C.), Babilônico Médio (Aproximadamente 1500 até 1000 a.C.) e Babilônico Novo (1000 a.C. até o começo da era comum). O assírio é o dialeto no norte da região e está dividido em Assírio antigo (2000 – 1500 a.C.), com textos de origem capadócia, Assírio Médio (ca.1500 – 1000 a.C.) e Assírio Novo (1000 – 600 a.C.), sendo este último período influenciado pelo aramaico na sua fase final.

O Semítico Norte-Ocidental é representado por dois grandes grupos, a saber, o aramaico e o cananeu. O cananeu representa manifestações linguísticas não aramaicas da área sírio-palestina, do final do 2º Milênio antes da era comum em diante. As línguas deste grupo são: O hebraico com suas diversas épocas: período bíblico, cuja literatura pode ser datada aproximadamente entre 1200 e 200 a.C., complementado por número de inscrições; Período pós-bíblico, começando com a literatura apócrifa e os recentes documentos descobertos no Mar Morto (séculos I e II a.C.) e continuando com os escritos rabínicos dos primeiros séculos da era comum (Mishná, toseftá, midrash); a literatura exegética, a literatura poética a filosófica da Idade Média e a dos tempos modernos. E por fim, o hebraico moderno, hoje falando em Israel.[3] O fenício e púnico representados pelas inscrições das antigas cidades fenícias, datadas entre o século IX e I a.C., e pelas inscrições de suas colônias no Mediterrâneo (entre o século IX a.C e o século II da era comum). O moabita representado pela inscrição do rei Mesha de Moabe do século IX a.C. O aramaico representado por seus diversos períodos desde o primeiro milênio a.C., que sobreviveu em poucos dialetos, até o presente. Podemos distinguir um período antigo e uma subsequente divisão em duas ramificações, Oriental e Ocidental. A parte mais antiga deste idioma foi encontrada em inscrições dos reinos arameus. Todas essas inscrições foram descobertas no Norte da Síria (nas proximidades da cidade de Aleppo). Cronologicamente pode-se datá-las entre o 6º ao 4º a.C século a.C. O Aramaico Médio é o aramaico do século III a.C., até os primeiros séculos da era comum. O Aramaico Tardio é usado para textos escritos entre o 2º e o 9º da era comum. Da Palestina veio uma forte produção literária do judaísmo, inclusive o Talmude palestino, midrashim e diversos targumim. Na parte oriental, encontramos ainda os judeus babilônicos com o Talmude de Babilônia, textos em mandeu e siríaco. O Aramaico Moderno é o aramaico falado hoje em diversas cidades próximas a Damasco – entre elas podemos citar a maior: Ma’lula – como também por alguns cristãos no sudeste da Turquia, presentes em Tur’Abdin. O Aramaico Ocidental está representado pelo nabateu, língua de uma população árabe que se estabeleceu em Pétrea, e floresceu do I a.C. ao século III da era comum. Papiros em nabateu foram descobertos no meio dos documentos do Mar Morto e também Inscrições em nabateu foram identificadas espalhadas na Grécia e na Itália. É representado também pelo palmireno que é uma língua de uma população de etnia árabe que se estabeleceu na região de Palmira e que floresceu entre o século I a.C. e o séc III da era comum. Inscrições em palmireno foram encontradas, longe de seu ambiente habitual, na Inglaterra. Como representante deste grupo há também o aramaico palestinense, falado na Palestina no tempo de Jesus e durante os primeiros séculos da era comum. O Aramaico imperial está representado pelo siríaco, originalmente a língua de Edessa, depois desenvolvida por uma riquíssima literatura cristã, indo do século III ao séc XIII da era comum. O aramaico babilônico é a língua dos judeus babilônicos, predominantemente, representada pelo Talmude Babilônico. O mandeu é a língua dos gnósticos que floresceram na Mesopotâmia. Seus escritos cobrem do século III ao VI da era comum.[4]

O Semítico Sul-Ocidental, geralmente nas gramáticas e nos livros de linguística semítica está dividido em dois grupos: Árabe do Norte e Árabe do Sul, com Etíope[5]. Todavia, consideramos aqui o termo árabe como complexo linguístico que abarca todas as línguas da Península Arábica, com exceção de algumas influências aramaicas, como no nabateu e palmireno, no Extremo Norte. Este grupo, contendo diversas dialetais, pode ser subdividido da seguinte forma: Árabe do Sul antigo ou Epigráfico e a Língua de inscrições das cidades-estados do antigo Sudeste Arábico, compreendendo os seguintes dialetos: sabaeu, manaeu, qatabaniano, hadrami e awsaian. O Árabe Pré-clássico do Norte é um idioma presente em uma série de inscrições e pode ser datado ente o século V a.C. e século IV da era comum. Seus dialetos são divididos em thamudic, lihyanite e safa’itic. O Árabe Clássico do Norte, o árabe par excellence, é atestado já no século IV da era comum em poucas inscrições e em diversos dialetos preservados por escritores islâmicos. Alcançou sua plena realização na poesia pré-islâmica árabe e mais tarde no Alcorão (século VII da  era comum). Os dialetos do Árabe moderno são numerosos. No Sul existe um grupo separado de línguas que, segundos muitos especialistas, representam a continuação e desenvolvimento do antigo idioma. Entre elas podemos citar mehri, shawri, e soqotri. Além disso, um grande número de dialetos desenvolvidos do árabe clássico é classificado de acordo com a região onde são faladas: Ásia Central, Iraque, Sírio-libânes, Palestino, Egípcio, Norte-Africano ou Magrebino.[6]

O etíope[7], conhecido também como ge’ez, é atestado primeiramente em material epigráfico dos primeiros séculos da era comum, e sobretudo, nas grandes inscrições de Aksum do século IV. Mais tarde, desenvolveu uma extensiva literatura, predominantemente religiosa, chegando até os tempos modernos. As modernas línguas lemíticas da Etiópia são representadas pelo Tigrínio, Tigré, Amárico, Harari, Gurage, Gafat, e Argobba, estas últimas agora em extinção.

Línguas não semíticas que exerceram alguma influência sobre a língua hebraica são a língua hamítica do Egito (há, porém, alguns estudiosos que vêem até no egípcio algum relacionamento primitivo ao grupo semítico de línguas); o sumeriano, a fala aglutinativa (sem relacionamento com qualquer outra língua conhecida) da raça antiga, não-semítica, que conquistou e civilizou a Mesopotâmia Baixa, antes dos babilônios; e a língua persa, distantemente relacionada com o grego, da família indo-iraniano. Todas estas línguas contribuíram com um a pequena porcentagem de vocabulário à língua hebraica.[8]

                                                              Línguas Semíticas

Após, esse tratamento sobre a organização das línguas semíticas, tão bem discutida, para oferecer um campo de visão geral, sobre esta divisão linguística. Chegou a hora, de discutirmos cada uma dessas línguas, traçando sobre período de desenvolvimento, dialetos, literatura envolvida.

ACADIANO

O Acadiano foi falado, pelos antigos babilônios e Assírios, na mesopotâmia, mais ou menos na área do Iraque moderno. Isto é, a língua semítica mais antiga atestada, com registros escritos já ao redor de 2400 a.C. O Acadiano não é uma linguagem uniformem, mas pode ser divida em múltiplos dialetos, muitos dos quais, uma forma escrita padronizada. A Principal divisão é entre os dialetos babilônicos e assírios, que se distinguem cronologicamente. A seguir estão os principais dialetos, junto com suas datas atestadas na aproximação.

Antigo Acádio (2400 – 2000 a.C.)
Antigo Babilônio/ Antigo Assírio (2000 – 1500 a.C.)
Médio Babilônio/ Médio Assírio (1500 – 1000 a.C.)
Neo-Babilônio/Neo-Assírio (1000 – 600 a.C.)
Tardio Babilônio 600 a.C – 100 d.C)

Já no período médio babilônico, e antigo Babilônio passou ser considerado o período clássico do Acadiano. Autores tanto na Assíria como na Babilônia desenvolveram um diálogo puramente literário, baseado no antigo modelo babilônico, conhecido como ‘Babilônio’. O padrão babilônico foi usado para literatura e alguns textos monumentais em todos os períodos posteriores. Algum tempo no primeiro semente do 1º Milênio a.C., o acadiano faleceu como uma língua falada, embora tardio e o padrão babilônico continuou a ser usado por escrito até cerca de 100 d.C.

Há também os chamados dialetos periféricos do acadiano, que são essencialmente dialetos atestados fora do Babilônio e Assírio, geralmente refletindo o substrato da influência da língua local.  Os locais notáveis onde os textos acadianos periféricos foram encontrados incluem Nuzi, Alalakh, Mari, Emar, Ugarit, e El-Amarna. Estes vêm principalmente a partir de meados do final do 2º Milênio a.C. quando o acadiano foi usado como língua franca em todo o Oriente Próximo. O Conhecimento do sistema cuneiforme usado para escrever o acadiano faleceu no século II d.C. e o cuneiforme foi decifrado apenas no século XIX.

EBLAÍTA

Eblaíta designa a língua da antiga Ebla, o moderno Tell-Mardikh, que fica ao sul de Aleppo, na Síria. O idioma foi descoberto apenas na década de 1970, quando vários milhares de comprimidos cuneiformes foram escavados no local. Todos os textos podem ser datados de um período que se estende do 24º ao 23º século a.C. Devido a natureza da escrita cuneiforme utilizado para o Eblaíta – em particular a ampla utilização dos logogramas e a ambiguidade na representação de quase todas as consoantes e vogais – o conhecimento da língua permanece desigual. Ainda assim, é claro que é um parente próximo do acadiano, mas com diferenças suficientes para garantir e colocá-lo em seu próprio ramo semítico oriental (Huehnergard 2006).

MODERNO ÁRABE DO SUL

 A família moderna do Árabe do Sul inclui seis idiomas: Mehri, Jibbali ou (Sheri), Harsusi, Soqotri, Hobyot, e Batari. Todos são falando no leste do Iêmem e no oeste de Omã, com exceção de Soqotri, que é falado na ilha de Yemeni  governada de Soqolra, localizada no Oceano Índico cerca de 150 milhas a leste da África. Mehri, Jibbali, e Soqolri tem um número de dialetos. Na verdade, Harsusi e Batari são suficientemente similares ao de Mehri, que também podem ser considerados dialetos dessa língua. Cada uma destas línguas tem um número relativamente pequeno de falantes, embora o número exato seja desconhecido. Mehri é a língua com o maior número de falantes; estimativas neste variam de cerca de 75 mil a 150 mil. Jibbali tem talvez 30 mil oradores, Soqolri tem talvez 10 mil falantes e as três línguas restantes tem provavelmente menos de mil falantes cada.

Nenhuma dessas línguas tem uma tradição de escrever, e assim nosso conhecimento dessas línguas é bastante recente. Um par que está documentado pelos europeus já nos 1830, enquanto outros são conhecidos apenas a partir do século XX. Hobyot, e Babj, permanecem especialmente mal documentados. Apesar da terminologia confusa, as línguas árabes do sul moderno não descenderam das línguas às vezes, conhecido como antigo árabe do Sul, nem são variedades do Árabe. Pouco tem sido feito com a classificação do grupo do Árabe do sul moderno.

ETIÓPICO SEMÍTICO

O ramo etiópico contém uma variedade de línguas, a maioria dos quais são conhecidas apenas a partir dos tempos modernos. A perfeita exceção é Ge’ez, a língua clássica da Etiópia e ainda a língua litúrgica da Igreja Etíope, que é atestada em inscrições já no início do século IV d.C., ou talvez até no final do século III d.C, o Amárico é atestado no século XIV d.C, mas não foi amplamente escrito até o século XVIII d.C. Embora algumas das línguas ainda aguardem, uma descrição abrangente, a família semita etíope tem em geral. Foi bem estudado, assim como sua classificação interna.

ARÁBICO

 O árabe hoje tem cerca de 200 milhões de falantes, cujo domínio se estende da Mauritânia no oeste a Oman no leste. Dentro da África, é a principal língua de todos os países africanos do norte, da Mauritânia para o Egito, bem como nas regiões setentrionais, Chade e Sudão, e é também amplamente falado em Djibouti e na Eritreia. É a língua principal de todos os países do Oriente Médio, com exceção da Turquia, Irã e Israel. Ainda assim, é amplamente falado em Israel e é falado em pequenas regiões da Turquia e Irã. Há também comunidades árabe-falantes na Ásia (Afeganistão e Uzbequistão). No Mediterrâneo, encontrar maltês e uma minúscula comunidade de oradores de Chipre. Na Idade Média, existia havia próspera língua árabe, a Península Ibérica e na Sicília. O árabe também é falado hoje, por grandes comunidades expatriadas na Europa e na América. E é a linguagem litúrgica de centenas de milhões de muçulmanos ao redor do mundo. O árabe não é uma única entidade linguística, e podemos distinguir diferentes tipos de árabe tanto cronologicamente como geograficamente. Primeiro, devemos distinguir o árabe do que é conhecido como Antigo Árabe do Norte.

O antigo árabe do norte é um termo de cobertura para vários dialetos, que são atestados em inscrições encontradas principalmente nos territórios que hoje são a Síria, Jordânia e Arábia Saudita, e que datam do século VIII a.C. ao século IV d.C. O Nomes destes dialetos incluem Taimanítico, Dadanítico, Dumaítico, Safaitico, Hismaico, Hasaítico, e Talmúdico. O antigo árabe do Norte é atestado cerca de um milênio antes do árabe, mas nenhum destes dialetos são os antepassados do árabe. Antigo árabe do norte deve ser considerado distinto, embora estreitamente relacionados com, a língua que se tornaria Árabe clássico. Para o árabe propriamente dito, podemos distinguir vários períodos. Antigo árabe designa a língua das inscrições árabes, sobre os séculos III ao VII, ou seja, até o período islâmico. O antigo árabe é relativamente atestado escassamente, e é encontrado escrito em uma variedade de escritas. O árabe clássico refere-se a variedade da linguagem escrita que foi padronizada no século VIII d.C. com base no Alcorão e outras poesias pré-islâmicas.

Essencialmente o padrão literário uma vez que, pelo termo de sua gramática.  O árabe padrão moderno (em árabe, fusha) É essencialmente uma versão modernizada do árabe clássico que começou a tomar forma no século XIX. Não surpreendentemente, o árabe moderno padrão, difere mais do árabe clássico em seu léxico, embora também haja algumas pequenas diferenças na gramática. O árabe moderno padrão é a língua oficial dos vinte e dois países árabes. É a linguagem da educação, dos meios de comunicação de massa, da escrita formal e é usada como uma língua franca em todo o mundo árabe.

SAÍDICO (Antigo Árabe do Sul)

O grupo Saídico – também chamado Antigo Árabe do Sul, ou Árabe Epigráfico do Sul – inclui quatro línguas (ou dialetos): Sabaico (ou Sabeano), Minaico (ou Mineano), Qatabanico (ou Qatabaniano), e  Hadramitico. Estas designações baseados naqueles usados pelo erudito grego Eratóstenes em sua geografia (finais do século III a.C.) para os quatro principais povos que habitavam a região do sul da Arábia, correspondendo aproximadamente, o que é agora o Iêmen (veja a edição do Roller 2010). O termo Saídico deriva de sayhad, o nome que o árabe medieval, geógrafos deram à área desértica iemenita agora chamada Ramlat como-Sab’atayn, à margem da qual os falantes dessas línguas tinham suas principais cidades. Saídico ainda não é um prazo, mas é preferível às outras possibilidades, uma vez que evita qualquer ligação enganosa com os termos árabe, Antigo Árabe do Norte (§1.5) e Árabe do Sul Moderno (§1.3). Isso também permite a possibilidade de distinguir Sabaico, Minaico, Qatabanico e Hadramitico das raras e muito mal compreendidas, outras línguas epigráficas que parecem ter existido no arábia do Sul (Beeston, 1984, 1987). As datas aproximadas atestado, escrito para as línguas sádicas são os seguintes:

Sabaico (ca. 1000 d.C.- ca. 560 d.C.)
Minaico (ca. 1000 d.C.- ca. 120 d.C.)
Qatabanico (ca. 700 d.C. – ca. 200 d.C.)
Hadamitico (ca. 700 d.C. – ca. 300 d.C.)


UGARÍTICO

 Ugarítico é a língua que foi falada em torno de antigo Ugarit (agora chamada Ras Shamra), uma cidade localizada a poucos quilômetros ao norte de moderna Latakia, na costa síria do Mediterrâneo. Textos são atestados apenas, por um curto período na história, de cerca de 1380 a 1180 a.C. O ugarítico foi descoberto por estudiosos modernos, apenas cerca de 1500 textos são conhecidos, a maioria dos quais são muito curto. Estes são escritos em uma escrita cuneiforme, única que parece superficialmente como sistema cuneiforme logo-silábico (por exemplo, Acadiano), mas na verdade é um alfabeto de cerca de trinta caracteres. Alguns ugaríticos, é também atestado em acadiano silábico cuneiforme. Sendo, uma vez que o alfabeto ugarítico raramente indica vogais, fornece evidência importante para a vocalização da linguagem.

Os textos ugaríticos cobrem uma grande variedade de gêneros, poemas épicos, textos religiosos, cartas, textos de adivinhação e textos, entre outros. É mais amplamente estudado por estudiosos bíblicos, que observaram muitas semelhanças entre a literatura ugarítica e a literatura bíblica, e que usaram essa linguagem para derramar luz sobre palavras e formas hebraicas difíceis. Como uma das primeiras formas comprovadas de Semítico do Noroeste, é importante não só para o estudo da Bíblia hebraica, mas também para o estudo semítico em geral.

CANANITA

 O membro mais proeminente do ramo cananeu da família semítica é hebraica. No período antigo, nossa principal fonte do hebraico vem da Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento), que inclui material que foi escrito durante o período de (aproximadamente) 1150-150 a.C. Entretanto, os manuscritos bíblicos os mais adiantados que são existentes hoje, datam de somente aproximadamente 100 d.C (de entre os Pergaminhos do Mar Morto); A Bíblia Hebraica completa mais antiga data de apenas cerca de 1000 d.C., do período bíblico, um número de inscrições hebraicas são conhecidas, algumas Como o século 10 d.C., embora poucos são de todo o comprimento significativo. Dado que a Bíblia Hebraica contém material escrito, no decorrer de um milênio, não é de surpreender que se encontre diferenças na linguagem dos livros bíblicos. Assim, por exemplo, os estudiosos distinguem entre o hebraico bíblico padrão e hebraico bíblico tardio, com o ponto de divisão em torno de 550 a.C. Há também evidências de variação dialectal sincrônica, Com o hebraico bíblico padrão que reflete o dialeto de Judá em geral, e com algumas porções da Bíblia que refletem um dialeto do norte, denominado hebraico de Israel por eruditos (Rendsburg 2003). Ainda assim, o hebraico bíblico é relativamente uniforme.

A partir do período pós-bíblico vem hebraico de Qumran, que é a língua dos textos não bíblicos entre os (MMM), datado principalmente para o I e II século a.C. Hebraico de qumran, continua o hebraico bíblico tardio, embora também exibe algumas peculiaridades lingüísticas desconhecidas de qualquer outro variedade do hebraico.

 A partir dos séculos II e III d.C., encontramos um dialeto do hebraico que é geralmente chamado de Rabínico ou  hebraico mishnaico. Nesse dialeto, temos vários textos judaicos importantes, o mais proeminente dos quais é o Mishná. O hebraico rabínico é distinto em muitas maneiras do hebraico bíblico e do hebraico de Qumran, e parece derivar de um dialeto do norte (galileu) (Rendsburg 2003b).

O hebraico desapareceu como língua falada por volta do século III d.C., mas permaneceu em uso como uma linguagem literária e litúrgica entre judeus. Nessa qualidade, encontramos escritores que imitam tipos bíblicos e rabínicos de hebraico. Embora a linguagem, não era a língua materna de ninguém, mas continuou a desenvolver durante a Idade Média, à medida que o novo vocabulário foi emprestado conforme necessário. Existe um enorme corpus medieval de obras hebraicas, representando uma grande variedade de gêneros, grande parte, ainda não publicado.

No final do século XVIII e início do século XIX, o hebraico foi a caminho da modernização, e deste período encontramos muitos obras seculares originais, como peças de teatro, romances e jornais. Dentro do final do século XIX, começou um movimento para reavivar o hebraico, como uma língua falada, coincidindo com o movimento sionista para reclamar Israel como a pátria judaica. Este renascimento sem precedentes levou à criação do hebraico moderno (ou hebraico israelense), que é hoje a língua oficial de Israel, e é falado por cerca de seis milhões de israelenses. A gramática da linguagem moderna, baseia-se fortemente no hebraico bíblico, com muitos elementos de Hebraico de períodos posteriores, bem como um grande número de palavras recém-criadas e emprestadas.

O hebraico é a única língua cananéia ainda em uso, mas existem vários outros conhecidos do período antigo, o mais notável dos quais é Fenício. Fenício é o nome, que foi usado pelos gregos antigos para descrever os povos cananitas, que habitavam a planície costeira do que é hoje o Líbano e ao norte de Israel. A língua fenícia é atestada em inscrições começando em cerca de 1000 a.C. Porque os fenícios foram marítimos que viajaram por todo o Mediterrâneo, foram encontradas inscrições fenícias não só no Líbano e nas proximidades, mas também em Chipre, Grécia, Malta, Sicília, Sardenha, Espanha e em outros lugares. O dialeto da colônia fenícia que foi estabelecida em Cartago (perto da Tunis moderna, em Tunísia) é referido como púnico, que é atestado a partir do 6º Século d.C. até ao redor do 4º  Século a.C., Inscrições após a queda de Cartago (146 a.C.) são geralmente referidos como Neo-Púnico ou Púnico tardio. A maioria do fenício, incluindo Púnico, é escrito em um alfabeto muito próximo ao do hebraico antigo, mas no último período encontramos também inscrições, com características em latim ou grego.

Além do hebraico e fenício, havia vários outros dialetos cananeus antigos, incluindo moabitas, edomitas, e amonitas. Nosso conhecimento desses dialetos vem de um número relativamente pequeno de inscrições do primeiro milênio a.C., encontrado no que é agora ocidental da Jordânia e Israel. A inscrição mais longa, de longe, é um texto moabita de cerca de trinta e cinco linhas. Do século IX a.C., conhecida como Estela de Mesa, uma vez que diz respeito ao rei Mesa de Moabe. As restantes inscrições são todas curtas e fragmentárias, e às vezes é impossível determinar qual dialeto é atestado em uma determinada inscrição. O conhecimento desses poucos dialetos cananeus permanece bastante pobre.

No final do século XIX, um arquivo de várias centenas de tabuletas cuneiformes foi descoberto em Tell El-Amama, no Egito, cerca de 200 milhas ao sul do Cairo. Este arquivo data de aproximadamente 1350 a.C., e representa a correspondência diplomática entre o Egito e seus estados vassalos no Levante, bem como com outros poderes, como os babilônios e os hititas. A Correspondência foi principalmente em Acadiano, uma vez que, como observado acima (§1.1), o Acadiano era a língua franca do Oriente Próximo neste tempo. No entanto, as cartas que se originaram nas várias cidades cananitas (no que hoje é Israel e Líbano) foram muitas vezes escritas, em Acadiano muito pobre, com numerosas palavras cananitas, e até formas gramaticais cananitas e ordem das palavras. Assim, enquanto a linguagem dos textos é tecnicamente acadiana, muitos das cartas de Amarna evidenciam a gramática e o vocabulário cananita. E uma vez que este corpus antecede e atesta o hebraico ou fenício por várias centenas de anos, é um importante fonte para o estudo do inicial cananita.

ARAMAICO

 O Aramaico é primeiramente atestado em cerca de 900 a.C., em torno do mesmo tempo como hebraico. Isso torna aramaico e hebraico as Línguas  com as mais antigas histórias comprovadas (cerca de três mil anos). No entanto, ao contrário do hebraico, o aramaico nunca deixou de ser uma língua viva, falada. Durante os quase três milênios, o Aramaico pode ser dividido em um grande número de dialetos, tanto cronologicamente quanto geograficamente. Tem vários esquemas para dividir o aramaico em períodos cronológicos, mas um amplamente aceito é o seguinte:

Antigo Aramaico (ca. 900-700 a.C.)
Aramaico Imperial (ca. 700-200 a.C.)
Aramaico Médio (ca. 200 a.C. – 200 d.C.)
Aramaico Tardio ( ca. 200-700 d.C.)
Neo-Aramaico (ou Moderno Aramaico) (Até o presente)

Como uma emendação a este esquema popular, é útil e mais preciso dividir o período Aramaico Imperial em dois: Aramaico Imperial Primitivo (700-550 a.C) e Aramaico Imperial (e.550-200 a.C.) Aramaico Imperial (também chamado de Oficial, Clássico, Padrão, ou Aramaico Aquemênida) tornou-se a língua franca do Oriente Próximo (promovido pelos impérios assírio, babilônico e persa), e permaneceu difundido mesmo durante os períodos helenístico e romano. O uso do aramaico começou a declinar somente com a expansão do islamismo no século VII d.C.

A discussão dos dialetos aramaicos pode muitas vezes ser confundida, existem vários termos que se referem a corpus contendo mais de um dialeto aramaico (por exemplo, Aramaico Bíblico, Aramaico Targúmico, Aramaico talmúdico e aramaico de Qumran), bem como termos que se referem a um corpus dentro de um dialeto (por exemplo, Aramaico dentro do aramaico imperial). Por exemplo, o aramaico bíblico refere-se ao aramaico dos livros de Esdras e Daniel (bem como um punhado de palavras em outras partes da Bíblia).

Já no período do antigo aramaico, há evidências de diferenças de dialeto geográfico, mas não é até o final do Período aramaico médio que essas diferenças se manifestam, eles mesmos nos registros. Neste momento, uma clara distinção entre ocidental (palestino e nabateu) e oriental (sírio e mesopotâmico) torna-se evidente.

Pelo período do aramaico tardio, vários elementos aramaicos muito importantes são as  tradições literárias que se desenvolveram, e as diferenças ainda mais aparente. Siríaco, originalmente o dialeto de Edessa (Agora Sanhurfa [ou Urfa], no sudeste da Turquia), tornou-se a principal linguagem litúrgica do Cristianismo no Crescente Fértil, e é de longe o dialeto aramaico mais bem atestado. Para o oeste, nós encontramos o aramaico palestino judaico (a língua do Talmude e Targuns), aramaico palestino cristão e aramaico samaritano. A leste do território sírio encontra-se, o aramaico babilônio judaico (a língua do Talmude Babilônico) e Mandaico. O Siríaco continua sendo uma linguagem entre algumas igrejas orientais, os vários dialetos judeus do aramaico continuam a ser amplamente lidos por judeus aprendidos, graças ao seu uso nos livros bíblicos de Esdras e Daniel, o dois talmudes, e várias outras composições importantes para o Religião Judaica.[9]

                                                                Conclusão

E por fim  que há duas razões fundamentais do estudo das Línguas Semíticas  para o Antigo Testamento:

(A) Línguas Semíticas permitem ao estudioso, ler textos antigos em suas línguas originais, para obterem uma compreensão da história e cultura do mundo bíblico.  Pois boa parte da Literatura do Antigo Oriente Próximo testemunha práticas israelitas como em Ugarit, Mari, Ebla, Qatna, Hazor, Alalah e Deir Alla. Essas e muitos outros lugares providenciam o melhor tratamento para compreender os reflexos da História e Cultura do povo hebreu.

(B) Estudar tais línguas, é necessário para lançar luz sobre a gramática e vocabulário do hebraico e aramaico bíblico. O material Ugarítico possui ótimas afinidades em Levítico e o material amorita de Mari com a literatura profética. Contudo, seu valor em buscar significados nesses línguas cognatas é secundário, já que por meios etimológicos é perigoso fazer tal consideração, pois este não é um chapeu mágico de atribuir significados precisos.

Por Jean Carlos

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]  Kiraz, George Anton (2001). Computational Nonlinear Morphology: With Emphasis on Semitic Languages. Cambridge University Press. p. 25. ISBN 9780521631969. The term “Semitic” is borrowed from the Bible (Gene. x.21 and xi.10–26). Isto foi primeiro usado pelo Orientalista A. L. Schlözer em 1781  designa as línguas faladas por Arameus, Hebreus, Árabes e outros povos do Antigo Oriente (Moscati et al., 1969, Sect. 1.2). Before Schlözer, these languages and dialects were known as Oriental languages.

[2] R. HETZRON, ’’La divison des langues sémitiques’’, em A. CAQUOT e D. Cohen, Actes du première Congrés international de linguistique sémitique et chamito-sémitique, Paris 16 – 19 juillet de 1969, The Hague, 1974, p. 181-194; ID., ’’Semitic languages’’, em B. COMRIE, The World’s Major Languages, Oxford, 1987, p. 654-663.

[3] Mais detalhes sobre a história e a divisão dos períodos do hebraico ver. A. SAÉNZ-BADILLOS, A History of the Hebrew Language, Cambridge, Cambridge University Press, 1996; E. Y. KUTSCHER, A History of the Hebrew Language, Leiden/Jerusalém, Brill/Magnes Press, 1982; JOEL M. HOFFMAN, In the Beginning: A Short History of the Hebrew Language, Nova York, New York University Press, 2004.

[4] Para maiores detalhes sobre o aramaico, ver R. GOMES DE ARAÚJO, Gramática do Aramaico Bíblico, São Paulo, Targumim, 2005, p.21-25; F. ROSENTHAL, A Grammar of Biblical Aramaic, Wiesbaden, Harrassowitz, 1983, p. 6; E. QIMRON, ‘aramit miqra’ir, Jerusalém, Bialik, 2002, p. 1-2; ROCCO A. ERRICO, Classical Aramaic, book 1, Smyrna, Noohra, 1992, p. v-vi.

[5] Ver. S. MOSCATI, Na Introduction to the Comparative Grammar of the Semitic Languages, Wiesbaden, Harrassowitz, 1969 p.13; C. BROCKELMANN, Grundriss der vergleichenden Grammatik der semitischen, Sprachen, Berlim, Verlag von Reuther & Reichard, 1908, p. 21-22; PATRICK R. BENNET, Comparative Semitic Linguistics, Winona Lake, Einsenbrauns, 1998. p.21

[6] Para mais detalhes ver W. FISCHER e O. JASTROW, Handbuck der arabischen Dialekte, Wiesbaden, Harrassowitz, 1980.

[7] Ver. C. BROCKELMANN, Grundriss der vergleicheden Grammatik der semitischen Sprachen, p. 30-33; J. HUEHNERGARD, ’’Languages (Introductory)’’, p. 158; H. LEE PERKINS, ’’Languages (Ethiopic)’’, em DAVID N. FREEDMAN, The Anchor Bible Dictionary, vol. 4, Nova York/Toronto, Doubleday, 193-195.

[8] ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.

[9] Rubin, Aaron D. A Brief Introduction to the Semitic Languages. Piscataway, NJ: Gorgias Press, 2010.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s