A Importância de um Dicionário Bíblico produzido por estudiosos brasileiros

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Este artigo volta-se principalmente sobre os dicionários bíblicos, concentrando-se em:

  1. Avaliação de dicionários utilizados no exterior.
  2. Avaliação de dicionários utilizados no Brasil.
  3. A necessidade um dicionário bíblico produzido no Brasil.

Em 2016 vemos a publicação da primeira Bíblia de Estudo feita no Brasil, de um caráter interdenominacional com 12 mil notas de estudo, com centenas de notas com foco teológico, exegético, devocional, histórico e linguístico. Eu afirmaria que simplesmente é uma obra prima, principalmente feita por estudiosos brasileiros. Porque não estamos, a costumado a ver nas prateleiras das livrarias e institutos teológicos, uma Bíblia como essa. Na maior parte, o material teológico sempre dependeu de americanos e europeus, inclusive para o estabelecimento de seminários evangélicos.

O assunto volta-se para os dicionários bíblicos que temos hoje em dia, uma variedade de dicionários, alguns lidando especificamente com a etimologia e semântica do hebraico e grego, outros focando em questões teológicas ou exegéticas, produzida por muitos bons estudiosos americanos, britânicos, e alemães. O recente número de publicações nas áreas teológicas, também cresceu provindo exatamente de mãos brasileiras. Temos por exemplo, a excelente Editora Vida Nova, que publica nas áreas de Teologia, com ótimos dicionários enfocando o Antigo e o Novo Testamento, sendo estes trabalhando com questões históricas e linguísticas (Novo Dicionário da Bíblia, Dicionário Internacional de Teologia do AT e NT). A editora CPAD também possui bons dicionários, com enfoque histórico e linguístico, porém ultrapassado, mas que ainda continuam a oferecer ajuda aqueles, que precisam se preparar para um estudo bíblico ou a exposição das escrituras. A editoria geográfica, possui o excelente dicionário (Tyndale) escrito por uma imensa multidão de estudiosos que deram suas contribuições em 2 mil páginas. A editora Cultura Cristã possui uma grandiosa obra no campo do AT (Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento). Bem como a editora Vida (Novo Dicionário de Teologia Bíblica) e Hagnos (Novo Dicionário de Teologia) pelo excelente dicionário voltado a questões teológicas.

Abaixo discutiremos dicionários bíblicos, em uso no exterior e no Brasil, finalizando com a devida necessidade da produção de um dicionário bíblico totalmente nacional. Aqueles dicionários que tem sido usado no Brasil e no exterior, categoricamente não serão discutidos no primeiro tópico abaixo, mas unicamente aqueles que são desconhecidos pela maior parte de estudantes, mas que possuem seu crédito de referência na erudição bíblica contemporânea. Portanto o objetivo é apresentar os recentes dicionários da pesquisa bíblica, e não apresentar revisão de livros, pois no caso eu preferia fazer um artigo separado deste.

1)Uso de dicionários bíblicos no exterior

– Dicionário Bíblico Anchor 6 Vol: O clássico da erudição bíblica feita por mais de 800 estudiosos cobrindo inúmeros campos históricos e teológicos, essa obra de referência tem contribuição de Manfred Gorg, Richard Hess e Miguel Civil. Com mais de 7 mil artigos, trabalhando desde as questões de introdução aos livros da Bíblia, autoria, gênero literário, estrutura, aspectos literários, temas teológicos. Questões referentes à Literatura, tanto do Antigo Oriente Próximo como do Período do Cristianismo Primitivo. Questões linguísticas são discutidas em especial o Acadiano, Ugarítico, Hebraico e Aramaico. Excelentes bibliografias para um estudo mais profundo e alto nível de pesquisa.

– Dicionário do Antigo Testamento 4 Vol: O clássico da Erudição Bíblica evangélica, com um exame detalhado do conhecimento obtido do Antigo Oriente Próximo, artigos sobre filologia semítica, métodos interpretativos, homilética. Grande ênfase é dada, no estado atual da pesquisa do Pentateuco, depois da derrubada do consenso tradicional das teorias documentárias e do renascimento da escola minimalista bíblica. Essa obra de alto rendimento envolve a busca acadêmica para o Israel histórico, representa o melhor da Erudição evangélica hoje. Valiosas bibliografias.

– Dicionário Teológico do Novo Testamento: Clássico da Bolsa de Estudos do Novo Testamento, com cerca de 10 vol. Considerado por muitos estudiosos como o melhor Dicionário do Novo Testamento. Este trabalho originalmente publicado em alemão Theologisches Wörterbuch zum Neuen, apresenta palavras na ordem do alfabeto grego, discute cada palavra, ambiente grego secular, o papel no Antigo Testamento, seu uso na Literatura judaica extra bíblica e seus diversos usos no NT. Uma riqueza de material filológico, recomendável a alunos e estudiosos em geral.

– Dicionário Mounce’s Expositivo do Antigo e Novo Testamento: Substituto do Dicionário Vine usado no Brasil, com mais conteúdo a nível histórico-linguístico. Planejado para ser usado para Pastores, que não tiveram treinamento técnico, e para o leitor leigo que não possui domínio sobre as línguas originais. Significados claro e conciso a luz do hebraico e grego bíblico. O material de riqueza contido aqui, excede o Dicionário Vine, chegando a 2 volumes.

– Dicionário de Criticismo Bíblico e Interpretação: Um Manual de Interpretação bíblica, acompanhando as pesquisas recentes em um único volume. Uma coleção de imensos intérpretes conhecidos desde a Patrística, Reforma Protestante, até Eruditos modernos. Artigos dedicados as Interpretações liberais, que influenciarão a história da interpretação a partir de diferentes perspectivas, artigos sobre desenvolvimento teológico, artigos sobre correntes de interpretação bíblica e suas várias escolas de pensamento. Bibliografia para guiar o leitor a uma leitura mais dinâmica.

2)Uso de dicionários bíblicos no brasil

Dicionário de Paulo e suas Cartas: Deve-se admitir que essa obra, tem proporcionado uma valiosa ferramenta no estudo do Novo Testamento, e especial a Literatura Paulina. Este dicionário de grande porte, tem trazido inúmeras riquezas, como por exemplo: Os verbetes são tratados com mais profundidade, como no caso [Ex…Abraão] com quatro tópicos e nove páginas de discussão desde a literatura judaica até 2º Coríntios. Nenhum outro trabalho de referência apresenta tanta informação focada exclusivamente na teologia, literatura, e na bolsa de estudos paulina. Além de artigos detalhados, apresenta métodos de interpretação, como a crítica retórica e as abordagens sócias científicas, ambiente histórico, helenismo e Qumrã.

Dicionário Ilustrado da Bíblia: Essa obra, já foi avaliado pelo hebraísta Luiz Sayão, como uma excelente ferramentas para estudiosos bíblicos e leigos. Apesar do alto preço, dado pelo seu conteúdo e praticidade de usar. O único, obstáculo a esse dicionário é que ele não define e não discute linguisticamente termos teológicos ou históricos, apesar da relevância dos artigos a nível teológico e histórico. É claro que podemos pressupor, que o objetivo dessa obra não é a discussão semântica das línguas bíblicas, mas a demanda do recente material arqueológico, histórico, devocional, e pastoral.

Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do AT: Obra altamente recomendada, a Pastores-exegetas, hermeneutas, e estudiosos do AT em geral. Cinco volumes de tratamento linguístico da etimologia hebraica, aramaico e nas línguas semíticas (Ugarítico, Acadiano, Cananeu) e ao contexto no Antigo Oriente Próximo, e mais bibliografia a cada verbete. Contribuições especiais vieram do Egiptologista James K. Hoffmeier, e do nosso amigo, o erudito do Antigo Oriente Próximo K. Lawson Younger, e do Assiriologista Donald J. Wiseman. Como diz a Sinopse: O NDITEAT é absolutamente necessário para a pregação eficaz no AT, permitindo um bom entendimento do texto hebraico, do contexto e de seu significado.

O Novo Dicionário da Bíblia: Esta obra também se recomenda, pelo seu valor histórico e arqueológico. Deve se notar que nesse volume, há uma contribuição especial do Egiptologista Kenneth A. Kitchen, e do Assiriologista Donald J. Wiseman citado acima. Essa contribuição trouxe riqueza de material arqueológico e linguístico para o Antigo Testamento.

Dicionário Bíblico Vine: O aclamado Dicionário Vine usado no Brasil, há mais de uma década fez muito sucesso no exterior, pelo seu rigor exegético dos significados em hebraico e grego. Tendo sido usado por pastores no Brasil há muitos anos, tornando-se uma valiosa ferramenta no estudo exegético. Produzida por muitos estudiosos conservadores. Hoje em dia, essa obra é praticamente ultrapassada, pelo seu sucessor o Dictionary Expositive Mounce’s discutido acima.

3) A necessidade de um dicionário bíblico escrito por eruditos brasileiros.

Será que há alguma necessidade? Será que dependeremos ainda da contribuição de estudiosos internacionais.

O aumento de comentários bíblicos, dicionários, obras introdutórias, tem proporcionado ao estudioso brasileiro um vasto conhecimento nas questões teológicas, histórica, linguística e devocional. Mas isso por si só, não é suficiente ainda no contexto latino americano. Acredito que haja uma necessidade no futuro de produzir, uma obra dessa envergadura principalmente porque hoje em dia há um falta nessa categoria no Brasil. Um projeto desse tipo englobaria, a participação de estudiosos de vários campos no Brasil, agruparia uma comitiva de conhecimentos técnicos não somente no âmbito teológico, mas histórico e linguístico. Um dos atuais problemas enfrentados é o analfabetismo bíblico, a falta de hermenêutica apropriada, e a negligência do estudo teológico/bíblico. A necessidade depende da ausência, da literatura acadêmica, para pastores, exegetas, e estudiosos da Bíblia em geral. Hoje em dia, os Dicionários que temos os quais citei acima, são produzidos por eruditos e feito para eruditos. Num futuro próximo, é possível produzir tal obra, enquanto isso iremos apenas sonhar com esta realização tão importante para a Teologia Brasileira.

Pois como sabemos, a Teologia Brasileira está apenas renascendo e dando seus primeiros avanços na Pesquisa Bíblica. Com certa objetividade, a produção de um Dicionário bíblico feita a partir da mãos brasileiras, é totalmente compatível com o rigor e dependência daqueles que necessitam estudar ou expor as escrituras.

Por Jean Carlos

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