Review – Faces de Estudos do Antigo Testamento – Um exame das pesquisas mais recentes editado por David W. Baker e Bill T. Arnold

Resultado de imagem para Review The Face of Old Testament Studies: A Survey of Contemporary Approaches (1999); Richard Hess

Um excelente volume que cobre desde a década de 1970 as principais pesquisas no campo do Antigo Testamento. Escrito por eminentes estudiosos bíblicos em 16 capítulos que abrangem: Crítica Textual por Al Wolters, Epigrafia por Mark W. Chavalas e Edwin C. Hostetter, Arqueologia por Mark W. Chavalas e Murray R. Adamthwaite, Abordagens literárias por Tremper Logman III, Pentateuco por Gordon J. Wenham, Historiografia por V. Philip Long, Israel Primitivo por K. Lawson Younger Jr, Monarquia por Gary N. Knoppers, Exílio e Pós-exílio por H. G. M. Williamson, Profetas e Profecia por David W. Baker, Literatura de Sabedoria por Bruce K. Waltke e David Diewert, Salmos por David M. Howard Jr, Apocalíptica por John N. Oswalt, Religião por Bill T. Arnold, Ciências Sociais por Charles E. Carter, e Teologia por R. W. L. Moberly.

Essa coleção de ensaios acadêmicos produtivos leva o aluno leigo ou estudioso mais avançado a uma visão mais dinâmica da bolsa de estudos do Antigo Testamento ao término do século XX. Não ignorando as contribuições evangélicas, requerem do estudante conhecimento de questões específicas, por isso recomendado aos estudantes de pós-graduação ou dissertação de PhD.

Alguns capítulos merecem destaque aqui como, por exemplo, o surpreendente artigo de Wenham “Reflexão sobre o Pentateuco: a busca por um novo paradigma” mostra um resumo das antigas escolas de Wellhausen, Alt, Noth e analisa várias obras na crítica do Pentateuco em especial de John Van Seters, e Thomas L. Thomson, e R. N. Whybray o que é indispensável dentro do estudo do Pentateuco. Long em Historiografia do Antigo Testamento trata desde a história do estudo da historiografia do AT no século XVIII e o desenvolvimento nos séculos XIX e XX do método histórico-crítico e apontando o caminho da historiografia no Antigo Testamento. Younger em Israel Primitivo no estudo bíblico acadêmico recente apresenta um resumo das teorias da conquista israelita e discute os fatores que influenciaram a filosofia da história. Um detalhe importante é a sugestão de uma análise literária comparativa do relato da campanha de Josué com os relatos do Antigo Oriente Próximo, no qual é destaque em seu livro[1].

Algumas questões em ‘desvantagens’ podem ser destacadas dentre as quais está à negligência do campo da Filologia Semítica no estudo comparativo do Antigo Testamento.[2] Essa desvantagem assim deixa de lado muito do material publicado em revistas profissionais que mostram o impacto do Acadiano na Gramática hebraica e aramaica, ou seja, como pode ser chamado Acadianismos em certos livros bíblicos que receberam influência babilônica. A língua Eblaíta por exemplo tem recebido notável atenção por suas peculiaridades linguísticas com o Noroeste Semítico (Hebraico)[3] e o Amorita por suas terminações teofóricas com elemento –el, ou ainda a relevância do estudo da onomástica amorita no 2º milênio a.C. em contato com os patriarcas.  Essas questões por exemplo não foram discutidas em um nível mais amplo, mas foram deixadas de lado o campo das línguas semíticas. Ao longo do livro os estudos filológicos foram tratados em menor escala tanto no contexto arqueológico e epigráfico dos primeiros capítulos bem como no resto do livro.

Em suma esse trabalho inestimável revela teorias acadêmicas que dominaram o século, eruditos que influenciaram gerações, e obras acadêmicas que reinaram. Eu recomendo esse livro a todos os estudantes da Bíblia, estudiosos do AT e para dissertações de PhD. Servirá como um companheiro de Face New Testament Studies: A Survey of Recent Research editado por S. Mc Knight e G. Osborne.

Por Jean Carlos

[1] Ver Younger, K. Lawson (1990). Ancient conquest accounts : a study in ancient Near Eastern and biblical history writing. JSOT Press, Sheffield.

[2] A desvantagem não reduz o valor do livro. Para ilustrar o impacto desse campo que  já tem acumulado uma multidão de dados filológicos veja em “Introduction,” in Beyond Babel: A Handbook for Biblical Hebrew and Related Languages (ed. John Kaltner and Steven L. McKenzie; Resources for Biblical Studies, 42; Atlanta: Society of Biblical Literature) 1–18. Tawil, Hayim. An Akkadian Lexical Companion for Biblical Hebrew: Etymological-Semantic and Idiomatic Equivalents with Supplement on Biblical Aramaic. Jersey City, N.J.: Ktav, 2009. M. Dahood, “Ebla, Ugarit e l’Antico Testamento”, CC 129/II, 1978, 328-340 [transl. in Month 238, 1978, 271-176, 341-345: repr. BSpade 8, 1979, 1-15, 59-66; TD 27, 1979, 127-131]. V. Blažek, “Proto-Semitic phonology and Hebrew etymology”, FolOr 41, 2006, 165-176 (rev.art. of A. Dolgopolsky, From Proto-Semitic to Hebrew, 1999. M. Baldacci, “Due antecedenti storici in Isaia 65,11”, BEO 20 (1978), 189-191. H.P. Müller, “Second Thoughts on Ebla and the Old Testament”, in W. Claassen, ed., Text and Context, Old Testament and Semitic Studies (JSOT Suppl. 48), Sheffield 1988, 157-175.

[3] Embora seja verdade que na época dos autores o corpus dos textos de ebla estava recém sendo publicado. Desde a descoberta em 1964 inúmeros estudos foram publicados ver P. Fronzaroli, “La langue d’Elba”, Archeologia 83, 1984, 42-47. J. Huehnergard, C. Woods, “Akkadian and Eblaite”, in CEWAL, p. 218-280. P. Michalowski, “Language, Literature, and Writing at Ebla”, in Ebla 1975-1985, pp. 165-175. R. Althann, “The Impact of Ebla on Biblical Studies”, RSAF 2, 1980, 39-47. A. Archi, “The epigraphic evidence from Ebla and the Old Testament”, Biblica 60, 1979, 556-566. P. Artzi, “’úwh in Eblaitic and Hebrew” (Heb.), HeLi 33-35, 1992, 33-38. M. Baldacci, “The Eblaite PN iš-tá-mar-dda-gan and Micah 6,16a”, AuOr 5, 1987, 144-146.

 

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