O perigo de Notícias sensacionalistas na Arqueologia Bíblica

 

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Hoje em dia tem ficado costumeiro sites e blogs anunciarem diversas descobertas arqueológicas relacionadas à Bíblia, como se fossem autênticas em sua natureza. Geralmente essas referências vem principalmente de sites de cunho jornalístico ou evangélico (apologético). Deve ser ter grande cuidado com os respectivos levantamentos, pois a ampla disputa acadêmica sobre inscrições e artefatos arqueológicos. Por exemplo, no final de 2016 foi noticiado em muitos sites evangélicos, principalmente aqueles de Apologética que o Hebraico contém o alfabeto mais antigo do mundo, tal afirmação não era nova, mas a um século atrás H. Grimme tinha argumentado o mesmo. Porém como sabemos, o anunciante da descoberta, Petrovich, há pouco tempo atrás recebeu seu PhD em Arqueologia da Síria Palestina, o que caracterizaria como um novato nas Inscrições proto sinaíticas, incapaz de distinguir entre hebraico e canaanita. Essa descoberta é considerada um absurdo na epigrafia semítica.  Nesse artigo serão abordadas algumas descobertas na Arqueologia Bíblica, que foram noticiados em blogs populares, mas que sofreram rejeição acadêmica por certos artefatos serem fragmentário demais, falta de especialização no campo ou ainda impossibilidade na decifração e análise filológica.

(1) Hebraico como o Alfabeto mais antigo do mundo

Como mencionei um pouco acima, Douglas Petrovich  anunciou a descoberta no final de 2016 alegando que o hebraico é a língua por de trás da escrita Proto-Consonantal (Canaanita) das Inscrições  de Serabit El-Khadim. Para não entrar em discussões longas desse alfabeto semítico veja.  Albright, W.F. “The Early Alphabetic Inscriptions from Sinai and Their Decipherment”. Oakland: Bulletin of the American Schools of Oriental Research. 1948. Petrovich afirma que encontra Aisamaque (Êxodo 31:6) referindo-se a ortografia de um nome de uma das tábuas como (Sinai 375). Depois de encontrar nomes bíblicos, Petrovich conclui que o Hebraico estaria na escrita proto-consonantal. Mas como já foi demostrado por Millard,  o hebraico e o cananeu são indistinguíveis, observando a estela Sinai 115 Millard nos diz que Petrovich referindo-se a letra proto-consonantal (termo que não faz sentido), confunde consoante com palavra, sendo este um som.  Para ver a resposta completa clique aqui.

Semelhantemente Rollston demostrou uma falácia que a meu ver é muito comum, a indicação de palavras supostamente hebraicas, que ocorrem nas Inscrições Alfabéticas.  Como observa Rollston, analisando as palavras rb (“grande“), el (“Deus“), yyn (“vinho“), tais palavras aparecem em Ugarítico, Acadiano, Árabe do Sul, Fenício e Aramaico, isto é plausível assim com o semítico ocidental “El” = Deus que aparece em Acadiano, Ugarítico, Aramaico, uma palavra usualmente comum. Clique aqui para ver a resposta.

Para o Egiptológo Thomas Schneider, a descoberta de Petrovich tem alguns problemas, por exemplo. O egípcio (j) usa para conferir o Alef semítico, nunca um ayin [ayin é uma letra hebraica] (tal letra seria necessário para obter a palavra hebreu). Similarmente, na 12ª dinastia, egípcio / r / nunca é uma transcrição de semítico / r /, mas de / l / e / d /.  Além disso, / p / é uma renderização regular de semítico / p / e não / b /, embora isso seja menos censurável. Schneider finaliza que a palavra “hebreu” não é possível. Clique aqui para ver a resposta.

Uma outra avaliação na proposta de Petrovich, é um artigo publicado pelo jovem semiticista Wright, onde demostra várias vezes as diversas falhas linguísticas e epigráficas. Ele observa que mesmo se aceitar o 8º Pictograma que se refere ao Hieróglifo p, é improvável que ibr represente a palavra hebreu. Pois no Hebraico Bíblico, o termo hebreu é escrito com um inicial ˤ (ˤibrî) = Som difícil de pronunciar. Outra falácia apresentada é apelação para a onomástica, como exemplo os nomes bíblicos Finéias e Passur são claramente egípcios, mas nem por isso o texto bíblico está em Egípcio. Para ver a análise completa clique aqui.

(2) Restos de carruagens egípcias no mar vermelho

Isto é mais do que sensacionalismo, é PseudoArqueologia vindo diretamente de Ronald Wyatt arqueólogo amador que procurou a partir de 1984 demostrar a historicidade da Bíblia. O problema para este tipo de questão, é que Wyatt não era realmente treinado na Arqueologia do Oriente Próximo, ou nas subdisciplinas de Estudos Orientais. Falando sinceramente se há restos de cultura material egípcia no mar vermelho a resposta é Não! Quando examinamos a literatura acadêmica atual (Egiptologia) não há uma pista sequer das supostas descobertas de Ronald Wyatt (Não há nenhum artigo publicado em revistas especializadas, nem a Egiptologia mainstream ouse sequer mencioná-lo). Porque esse tipo de notícia é no mínimo jornalístico, sem passar pelo rigoroso exame científico, é relatado pela mídia, como se fosse genuína. Esse tipo de irresponsabilidade, é levado adiante por apologistas cristãos e divulgado pelas quintas da internet. Esse caso inverídico e propositalmente jornalístico/apologético é refutado pela Arqueóloga brasileira Márcia Jamille que pode ser conferido aqui. Outra falha nisso, é que os próprios eruditos conservadores não citam este caso, para lhe conferir historicidade ao Êxodo. Uma rápida olhada na principal voz da erudição evangélica do Antigo Testamento, Journal for the Evangelical Study of the Old Testament testemunha a ausência de Ronald Ryatt.

(3) Selo do Profeta Isaías

Em fevereiro desse ano, a Dra. Eilat Mazar anunciou num artigo publicado na Biblical Archaeology Review, a descoberta de uma bula inserido no selo de argila em Jerusalém, que poderia conter o nome do Profeta Isaías. A descrição do selo diz “pertence a Isaías nvy”, o problema para isso é que a inscrição está danificada, o que lhe impede de concluir se referia ao Profeta Isaías. Novamente Christopher Rollston notifica que para confirmar que a palavra “profeta” é mencionado, deveria aparecer Aleph, mas nenhum Aleph é legível. Outra questão envolve a ausência do artigo em hebraico, pois tanto o termo “profeta” ou “profetas” na Bíblia é descrita com a palavra “o” ou com nome pessoal, para formar uma palavra no Hebraico definido. Se fosse a palavra “profeta”, teria que ter a palavra “o”, como em “o profeta Isaías”. Rollston termina dizendo que não tem a palavra “o” nesta bula. Assim Mazar também concorda enfatizando, se o artigo definido heh (“o”) fosse acrescentado ao final do nome Isaías (depois do vav ), a impressão do selo seria “[pertencente] ao profeta Isaías”. Clique aqui para uma análise completa de Christopher Rollston.

                                                         Conclusão

Este artigo não está desconstruindo a Arqueologia bíblica, mas está estabelecendo advertências contra metodologias enganosas, estudiosos desqualificados e descobertas falsas anunciadas pela mídia popular.  É necessário ter ampla cautela sobre o material arqueológico e aguardar uma avaliação acadêmica que confirme ou não. Essa lição serve como um cartão amarelo, para os apologistas cristãos que não são treinados nos Estudos do Antigo Oriente Próximo, e não usam corretamente o  devido material arqueológico e epigráfico, para propagar apologética na Bíblia. Em suma, deve-se checar as fontes primárias para averiguar o debate, e esperar pela conclusão acadêmica.

Jean Carlos

 

 

11 comentários em “O perigo de Notícias sensacionalistas na Arqueologia Bíblica

  1. Interessante! Seria legal se você fizesse uma lista do que realmente comprovamos da Bíblia (e podemos vir a descobrir) com as descobertas arqueológicas do Antigo Oriente Próximo.

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  2. Jean, você já viu esse documentário (Patterns of Evidence: Exodus)? É incrível, se não assistiu, assista agora: https://youtu.be/8Hk_mILrOaw
    O documentário apresenta muitas descobertas e evidências que a maioria do globo sequer tem noção que existe. Queria seu comentário sobre essa importante questão da datação convencional do Egito, incluindo sua posição se deveria corrigir ou não a datação. Abs!

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  3. Sim, já vi. O documentário é um até um certo ponto, bem ótimo com toda aquela produção cinematográfica para o publico popular. Mas não para uma reconstrução acadêmica, como você destacou a despeito da Cronologia apresentado por David Rohl. Meu campo primário é a Filologia Semítica, não questões que remontam a História, mas posso deixar algumas conclusões finalizadas por outros estudiosos. Por exemplo para estudar esse período, o trabalho mais conhecido e até padrão da Egiptologia, é o volume de Kenneth Kitchen “Third Intermediate Period in Egypt”, Kitchen discorda totalmente dessa Nova Cronologia de Rohl. Consulte a seguinte referência “Egyptian interventions in the Levant in Iron Age II”. In Dever, William G. Symbiosis, symbolism, and the power of the past: Canaan, ancient Israel, and their neighbors from the Late Bronze Age through Roman Palaestina. Seymour Gitin. Eisenbrauns. pp. 113–132 [122].

    Para discussões arqueológicas e filológicas veja. BICANE Colloquium, Peter James, and Peter van der Veen. 2015. Solomon and Shishak: current perspectives from archaeology, epigraphy, history and chronology : proceedings of the Third BICANE Colloquium held at Sidney Sussex College, Cambridge 26-27 March, 2011. Especialmente as páginas 17, 61, 82.

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  4. Obrigado pelas referências! Mas não entendi sua posição. O próprio documentário cita três estudiosos (um deles Hoffmeier) que crêem não ser necessário mudar a cronologia egípcia para encontrar evidências do Êxodo. No entanto, eu vi que o único argumento contra os indícios da chegada dos hebreus no Egito bem antes de Ramsés || é justamente essa atual datação. Por exemplo, Finkelstein descartou os papiros de Ipwer usando essa datação padrão para a chegada dos hebreus no Egito, inferindo que esse relato (de Ipwer) foi escrito bem depois dos acontecimentos reais com exageros e floreios. Não achas um tiro no pé aceitar isso? Os judeus que negam a historicidade perfeita do Êxodo acreditam que “se tudo isto aconteceu ou não é irrelevante”, porque, supostamente, a tradição religiosa dos judeus estaria desvinculada de fatos históricos (o que é uma falácia deslavada).

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    1. Me desculpe caro Victor, talvez não fui totalmente claro. Eu admito que não tenho uma posição conservadora para o caso do Êxodo no século XV a.C. como reivindica a maioria da erudição bíblica (protestante). E sim é claro concordo com a data do século XIII a.C.

      ”O próprio documentário cita três estudiosos (um deles Hoffmeier) que crêem não ser necessário mudar a cronologia egípcia para encontrar evidências do Êxodo”

      Concordo é verdade, o único problema nesse caso é a proposta de David Rohl que mencionei antes, a Nova Cronologia de Rohl nesse caso afetaria a Cronologia da Assíria e Babilônia, bem como a História bíblica.

      ”No entanto, eu vi que o único argumento contra os indícios da chegada dos hebreus no Egito bem antes de Ramsés || é justamente essa atual datação. Por exemplo, Finkelstein descartou os papiros de Ipwer usando essa datação padrão para a chegada dos hebreus no Egito, inferindo que esse relato (de Ipwer) foi escrito bem depois dos acontecimentos reais com exageros e floreios. Não achas um tiro no pé aceitar isso?”

      Sim, descartar este material no que concerne ao êxodo é deplorável. Porém não acredito que este papiro forneça um relato confiável do êxodo. A data do século XIII a.C. na minha opinião é muito melhor entendida para o êxodo, do que a do século XV a.C., pois essa data, invalida o texto bíblico e contrarias evidências arqueológicas.

      “Os judeus que negam a historicidade perfeita do Êxodo acreditam que “se tudo isto aconteceu ou não é irrelevante”, porque, supostamente, a tradição religiosa dos judeus estaria desvinculada de fatos históricos (o que é uma falácia deslavada)”.

      Sim. Nesse ponto aqueles que negam a história bíblica, concordam com a voz mainstream da Crítica do Antigo Testamento, que isso é irrelevante, pois a ênfase bíblica é teológica e não histórica. Eu não rejeito o método histórico-crítico, não acredito na inerrância da Bíblia, mas tbm não acredito que o êxodo, esteja como você disse desvinculada de fatos históricos.

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      1. Você realmente viu o documentário todo? Sobre essa data contradizer o texto bíblico David Rohl respondeu isso, é um anacronismo literário. Acho que para esclarecer de vez você bem que poderia fazer um artigo sobre essa questão (datação convencional da chegada dos hebreus no Egito e as inúmeras evidências do Êxodo citadas no documentário). Ademais, em que sentido você não crê na inerrância bíblica? Você acredita que a Bíblia contradiz fatos históricos ou vice-versa? Afinal, você é liberal ou conservador no campo da arqueologia bíblica? Pensei que este site tinha como objetivo refutar as falácias (como a do silêncio) e erros dos minimalistas liberais; ou me enganei?
        Desde já, obrigado pela atenção!

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  5. ”Você realmente viu o documentário todo? Sobre essa data contradizer o texto bíblico David Rohl respondeu isso, é um anacronismo literário”

    Caro Victor, a Cronologia de Rohl não resolve o problema para encontrar evidências de acontecimentos bíblicos. Numerosos estudos foram publicados, vindo até mesmo de estudiosos evangélicos discordam da época dos eventos para tentar datar a história bíblica, Bryant Wood é um exemplo, Wood, B.G. David Rohl’s revised Egyptian chronology: a view from Palestine. Near East Archaeological Society Bulletin 45:41–47, 2000.

    ”Ademais, em que sentido você não crê na inerrância bíblica?”

    Histórico e Linguístico, nesse caso é uma inerrância limitada no qual acredito que Deus inspirou o escritor bíblico em temas de fé e experiência (Teologia), mas acredito em questões da (História) na Bíblia que estejam erradas, ou seja que refletem o conhecimento histórico impreciso dos escritores.

    ”Você acredita que a Bíblia contradiz fatos históricos ou vice-versa?”
    Sim, acredito que a Bíblia contradiz a história

    ”Afinal, você é liberal ou conservador no campo da arqueologia bíblica?”

    Nenhum dos dois, tento equilibrar as questões. Por exemplo, há vários pontos em que concordo com a Crítica Bíblica no que concerne a adição e edição de textos bíblicos mais tardio. Não acredito totalmente na autoria mosaica, mas isto não quer dizer que sou liberal. Em outros pontos, eu discordo das teorias literárias conforme varia: Fragmentária, Documentária, Complementária. Não acredito que grandes personagens bíblicos como os Patriarcas ou Reis hebreus, sejam heróis lendários.

    ”Pensei que este site tinha como objetivo refutar as falácias (como a do silêncio) e erros dos minimalistas liberais; ou me enganei?”
    Desde já, obrigado pela atenção!

    Não se preocupe Rapaz, o objetivo é esmagar essas teorias. Mas deve ser dito que a descrença na inerrância bíblica (fundamentalista) não contraria no que tange a fé. Isso quer dizer, que não é porque existem erros na Bíblia, que os princípios morais ou teológicos sejam inverídicos. Isso não afeta em nada a Teologia. O problema é quando são ensinados a colocar enfase demais na inerrância bíblica, e aí algum dia descobrem que a Bíblia tinha erro. Então Pufs!! já caem da fé, o mesmo que aconteceu com Bart Ehrman. Não podemos ser assim. A inerrância limitada é seguida por muitos cristãos William Lane Craig, Michael Licona, Carl Barth, James Barr. Fique tranquilo!

    Muitos abraços!

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    1. Entendi! Tenho 16 anos e sonho em ser arqueólogo um dia, trabalhar nas escavações dos períodos ignorados pelo mainstream. No entanto, presumo que você também seja cristão. Dai veio a pergunta: Como você pode crer que a Bíblia é de fato a Palavra inspirada de Deus se ela contém “erros”? Que Deus é esse que sequer foi capaz de cuidar de um livro sagrado? Discordo disso. É sabido que temos evidências e boas razões para crer na historicidade confiável da Torah. Acho que citar Erhman como exemplo é um tanto descabido. Até agora Erhman não foi capaz de mostrar nenhum erro dos evangelistas ou do Novo Testamento como um todo. Tudo que li de Bart contra a autenticidade dos evangelhos foi puro “argumento pelo silêncio”; exceto na questão da Trindade como inexistente no NT, do qual concordo.

      A) Você poderia me mostrar algum fato da história secular que literalmente contradiz o texto bíblico?
      B) Sobre a Inerrância limitada, até onde ela vai? É algo do tipo: a arqueologia é uma ciência limitada ou “o escritor inspirado errou porque esqueceu ou não sabia”, ou algo mais ridículo ainda?

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      1. Fico feliz em ouvir que deseja seguir a profissão de arqueólogo.

        Como você pode crer que a Bíblia é de fato a Palavra inspirada de Deus se ela contém “erros”?

        Caro Vyktor, eu faço uma distinção entre Fé e História. A inspiração conforme eu acredito é da seguinte forma. Deus inspirou o escritor bíblico a escrever as experiências de fé do povo hebreu e cristão. Isto quer dizer que questões que envolvem a revelação divina são inspiradas e podem ser considerados inerrantes. Já a História bíblica tem erros. Uma é questão teológica, outra é histórica. Palavra de Deus é o que contém temas de Fé e não História.

        Que Deus é esse que sequer foi capaz de cuidar de um livro sagrado?

        Rapaz, essa pergunta pra mim não faz sentido. Sinceramente eu vejo que foram atos humanos que tiveram a responsabilidade, mas não teve interferência divina, pois Deus respeitou o estilo literário de cada um. Além disso não estou falando de transmissão textual (quando acontece no tempo, quando o texto se corrompe). Mas quando foi escrito originalmente, tinha erros, isso não significa que Deus errou, mas foram erros humanos.

        As perguntas A e B vão alongar muito nosso papo, vou deixar para escrever um artigo sobre isso.

        Grato pela prosa.

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